revirando o baú

Resenha: A Insustentável Leveza do Ser.

23/04/2016

Título: A Insustentável Leveza do Ser
Título Original: Nesnesitelná lehkost bytí

Autor: Milan Kundera

Editora: Companhia de Bolso/Companhia das Letras

Páginas: 307
Ano: 2008
Saiba mais: Skoob
Comprar: Saraiva/ Extra/Estante Virtual/Casas Bahia/Ponto Frio
Capa, Diagramação e Escrita: 4/5 


Sinopse:

"Lançado em 1982, este romance foi logo traduzido para mais de trinta línguas e editado em inúmeros países. Hoje, tantos anos depois de sua publicação, ele ocupa um lugar próprio na história das literaturas universais: é um livro em que o desenvolvimento dos enredos erótico-amorosos conjuga-se com extrema felicidade à descrição de um tempo histórico politicamente opressivo e à reflexão sobre a existência humana como um enigma que resiste à decifração - o que lhe dá um interesse sempre renovado.

Quatro personagens protagonizam essa história: Tereza e Tomas, Sabina e Franz. Por força de suas escolhas ou por interferência do acaso, cada um deles experimenta, à sua maneira, o peso insustentável que baliza a vida, esse permanente exercício de reconhecer a opressão e de tentar amenizá-la."

O livro:

A obra de Milan Kundera  é aquelas que te faz refletir em todos os aspectos. Desde pela verdade nua e crua da vida, até a outra vertente do amor, aquele amor que dói, machuca e é infiel.

Além dos conflitos na vida de Tereza, Tomas, Sabina e Franz, eles ainda tinha  que conviver com a tensão política que permeava na cidade de Praga durante os anos 60 e 70. Que servia de plano de fundo como as empreitadas que cada personagem se envolvia, onde Tereza esposa de Tomas, tinha que conviver com a insegurança e a assombração das traições de seu marido, onde tinha que aguentar cada parte, pois acreditava que não era boa suficiente, e não queria acabar como sua mãe, que morreu solitária e afundada na amargura de nunca ter sido amada o suficiente. Por outro lado, o tal infiel Tomas, sempre viveu na confusão de se entregar verdadeiramente a sua esposa, pois ele sempre precisava se ocupar de algo, todavia não conseguia ser desvencilhar de Tereza, por mais que buscasse outras, era ela há quem ele queria ter o sono compartilhado, era ela a quem ele quis estar junto quando encontrou ela em uma café, e se encantou com sua feição de acordo com as notas de Bethoven que tocava naquela noite.


Todavia, o autor aprofunda mais do que isso, confesso que se eu fosse detalhar tudo aqui, daria alguns posts a mais, tirando o exagero, acredito que o livro mereça tal coisa, pois cada parte dele possuí uma conjuntura de detalhes ricos que deve ser ressaltados. Ainda mais, quando Kundera poderia demasiadamente permanecer só nessa relação estreita conjugal, mas o mesmo prefere dar voz a cada personagem, e uma delas é Sabina, a amante de Tomas. Confesso que se fosse em outra situação, eu teria apenas burlado essa parte, pois se colocasse meus valores a frente, em hipótese nenhum teria compreendido seus argumentos sobre o "por quê trair", me perguntando até aonde iria os limites do amor e o fardo de carregar o peso de si mesmo.

Entretanto, é interessante como Kundera te fez ter um outro olhar, um olhar não só atento, mas sim sem julgamentos, onde você entende a visão de Sabina, e também essas relações conturbadas que paira em cada personagem. Esse é um daqueles livros que te faz refletir, de como nos "formamos" para nós mesmo enquanto singular e como nos "formamos" na concepção do outro.

Por último, dentre os personagens temos Franz, o amante de Sabina (oi?), que assim como Tereza tem que conviver a serem tratados como segunda opção. E tenta buscar dentro de si porque ainda permanece nessa relação,que nada lhe convêm, apenas migalhas de um sentimento que ele nem sabe nomear.

E assim, o livro traz toda essa perceptiva de como a vida permeia sobre o peso, lamúrias e entre o amor brando e voraz, onde você se depara com caminhos que te obrigam a fazer escolhas, onde é necessário se desvencilhar não só do orgulho, e saber se atentar e dar valor para as coisas e pessoas que o cerca. Afinal, as coisas ultimamente vem sendo passageiras demais.


"O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma série inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher)."




“Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está a nossa vida, e mais ela é real e verdadeira. Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semi-real, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes. Então, o que escolher? O peso ou a leveza?”





“É um amor desinteressado: Tereza não quer nada de Karenin. Nem mesmo amor ela exige. Nunca precisou fazer as perguntas que atormentam os casais humanos: será que ela me ama? será que gosta mais de mim do que eu dela? terá gostado de alguém mais do que de mim? Todas essas perguntas que interrogam o amor, avaliam-no, investigam-no, examinam-no, talvez o destruam no instante em que nascem. Se somos incapazes de amar, talvez seja porque desejamos ser amados, quer dizer, queremos alguma coisa do outro (o amor), em vez de chegar a ele sem reivindicações, desejando apenas sua simples presença.”
Espero que tenham gostado 
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