revirando o baú

Clube do livro: Leia Mulheres-Brasília

11/03/2016


"É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro, possuidor de uma boa fortuna, deve estar necessitado de esposa. Por pouco que os sentimentos ou as opiniões de tal homem sejam conhecidos, ao se fixar numa nova localidade, essa verdade se encontra de tal modo impressa nos espíritos das famílias vizinhas, que o rapaz é desde logo considerado a propriedade legítima de uma das suas filhas."



E foi sob essa perceptiva de um dos livros (Orgulho e Preconceito) da minha escritora favorita, Jane Austen, que se deu início ao debate do clube do livro "Leia Mulheres" que ocorre toda 2º quinta-feira do mês, no auditório da livraria Cultura (CasaPark-DF). Na qual são escolhidos sempre livros escritos por mulheres, com diversos tipos de temáticas .Para saber mais, só clicar  aqui Ó.




Confesso que fiquei totalmente feliz por ter mudado minha percepção da ideia que eu tinha do evento, pois acreditava que o assunto permearia somente a que o livro propunha ali através da história. Entretanto, tivemos um apanhado de vários conteúdos, onde foi discutido o papel da mulher naquela época, e como Jane Austen foi uma das poucas (acredito até que única) a levantar bandeiras em prol das mulheres, que naquele contexto já poderia ser considerado algo aversivo. Então fiquei com aquela sensação, de que pelo menos o mínimo ela fez.


Um dos aspectos também levantado é essa dualidade entre os personagens principais,Elizabeth e Mr. Darcy, como ambos compactua os mesmos defeitos, a prepotência de serem orgulhosos e preconceituosos, e até indiferentes em determinadas situações com conotações de desprezo. Sendo que a principio você só atribuiria isso ao Darcy, então Jane te propõe uma história em que fica difícil distinguir quem é vilão ou mocinho.

Algo que eu particularmente  gosto na escrita da Jane, não só como ela dá voz a cada personagem, e sim também como ela apresenta  figuras que possuem o direito de cometer erros e acertos, como qualquer pessoa normal faria. Desvencilhando um pouco daquele amor ideal como era interposto antes, e sim um amor racional. 



Já li Orgulho e Preconceito por três vezes e até poderia levantar algumas análises em relação a alguns personagens, mas ontem foi levantado uma questão que eu nunca havia me atentado, como é comum que todas as figuras maternas dos livros da Jane apresentam um teor de ridicularização, ausência, entre outras coisas que permeia para o lado negativo. Ao discernir isso (apesar de não ter compartilhado com o grupo rsrs) me veio na hora a concepção de Winnicott, que traz o conceito da "mãe suficientemente boa", onde a mulher deveria ser quista como algo amável, que afagasse os filhos e o marido sempre que fosse necessário, assim como também ser responsável por educar os filhos da melhor forma possível, mostrando também sempre obediente ao seu esposo, já que essa submissão seria uma forma de mostrar honra para o mesmo.


Então,quando Jane traz em seus  livros mães que fogem desse padrão, eu vejo mais como um protesto, do que algo realmente pejorativo. Assim, como também, ela dá tons de ironia e humor sarcástico para personagens que deveriam se portar como verdadeiras damas para a sociedade.

E depois de permear por diversos assuntos, e escutar cada um dos integrantes do grupo, percebemos o quanto a fala do outro contribui bastante para a nossa aprendizagem, e como um simples encontro na quinta feira pode fazer sua noite mais rica ainda (aqui deixo o meu lamento por não ter conhecido o projeto há mais tempo!),e até descobrir também que a família Bennet era as Kardashians do século  XIX  :)


Espero que tenham gostado!

P.s: Não coloquei muitas fotos em respeito ao direito de sigilo de imagens dos integrantes do grupo, mas se quiser saber mais a respeito fique à vontade em conhecer o projeto de pertinho.

Local: Auditória da livraria Cultura (CasaPark-DF).
Dia: Toda 2º quinta-feira do mês (próximo ocorrerá dia 14/04).
Horário: Às 20h


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