revirando o baú

Resenha: Porque até a morte terei fome.

29/03/2016

Hoje a resenha consiste em falar sobre o livro "Porque até a morte terei fome" da escritora Patrícia Colmenero.

Sinopse

"Uma mulher num salto agulha prestes a chorar como uma criança, assim se apresenta a personagem principal de “Porque até a morte terei fome”. Intensidade e desespero marcam o cotidiano da escritora de “algo urgente” que se fantasia por vezes de funcionária padrão em um escritório de advocacia, por outras de esposa servil do próprio chefe. O fim do relacionamento faz pulsar em meio ao caos o sentimento de perda. Amor ou hábito? Das estrelinhas brilhantes no teto do quarto restam agora somente as marcas de mofo."

O livro

A história começa exatamente  no término de namoro de uma jovem com seu então chefe  ( Túlio), onde o mesmo alega que ela não foi o suficiente para ele, mas será que não foi para ela?


Vemos a personagem se desfalecendo aos poucos, a ter que conviver com migalhas que Túlio deixou. Aqueles resquícios que nem ela sabia se a pertencia.

“Quem é que gostaria de se candidatar ao meu afeto? Quem é que gostaria de entrar, coração ante coração, na minha vida decaída? Quem é que gostaria de ser meu primeiro derradeiro amor, já que ainda não morri de nenhum anterior? Quem é que quer dar ao meu cotidiano de café e de filmes um infrene toque? Quem é que quer lábios com sede, e histórias de dor, e palavras cruas? Túlio não quis.”

Os fatos se intercalam entre o antes e o depois do seu relacionamento. Seja nos seus direitos violados, já que ela deveria fazer só aquilo que ele queria ( e quando queria), nos seus dias de monotonia quando ele não  estava por perto, afinal é difícil encontrar a si mesma e saber quem você é quando tudo que é subsequente  foi projetado nas mãos de um outrem, porém o dito cujo deixou escapar.

Ela é frágil, explosiva, deprimida entre outros turbilhões de sentimentos que aflora ao longo da história, temos seus momentos de escritora e seus colapsos de aversão a advocacia.


"Eu nasci para amar e eu amarei esse amor para sempre. Eu sabia que ele viria. Encontrá-lo não foi uma surpresa agradável ou um terrível ardil do destino, era a concretização de quem eu sou.

E essa é só mais uma história de amor.

Mas é pus, casa de botão vazia. Meu rastro.

Venho denunciar esta paixão.

A matéria-prima deste livro é o suco que sobra do beijo de todos os apaixonados."

-Deleite-se como eu me joguei sentindo-


Ela é mulher, amante, profissional e poeta. Ela “é” até mesmo quando não se enxerga. Qual o nome dela?
Cabe a você leitor descobrir.



Minha opinião

Quando li o livro cada pedacinho meu se quebrou junto com os delas. Eu particularmente nunca vive um amor assim (e nem quero), mas acredito na premissa que todos estejamos suscetíveis a isso. Então, deixei o meu coração transpor para os mesmos sentimentos. Sentimentos de incapacidade quando não sabemos salvar nós de si mesmos ou daqueles sentimentos bons que circundam cada parte do nosso ser, porém  o abdicamos para agradar o outro.

E foi assim com ela, cada pedaço deixado de lado, cada palavra silenciada para não importunar o seu amado para valer as afirmações "sou a mulher ideal para você"  ou "conte sempre comigo ".Todavia isso não foi recíproco da parte dele.



E a verdade que seja dita, ela era sim mulher para ele ( não no sentido de posse, e sim de companheirismo), mas ele não soube aproveitar, e até acredito que ela também não, pois é necessário que ambas as partes estejam dispostas a se entregar uma pela outra, e isso não ouve. 

Todavia, tais dias obscuros na vida dela foram necessários (porém não sadios ) mas culminou em sua paz interior, estar bem consigo mesma , e após vê-la juntando seus pedacinhos , aos poucos também fui juntando os meus, terminando assim feliz e grata por ter conhecido. Esse livro já entrou para a lista dos que me fazem refletir bastante.


Uptade

Fiquei feliz não só pela história em si (agradeço aqui todo o sentimentalismo que vivenciei) e sim também pela escrita, por como as palavras brincam e se tornam um grande poema nas entrelinhas. Assim como a capa e suas ilustrações, pois remete muito uma moleskine, além das ilustrações minimalistas.

Conheci a Patrícia Colmanero no Leia Mulheres-DF, que já falei nesse post aqui. Ganhei o livro de presente do meu namorado, com o intuito de ser nossa primeira leitura coletiva.

P.s.: Esse livro é um dos que será discutido no Leia Mulheres do próximo mês (dia 14/04) ás 20h na livraria Cultura do CasaPark.

P.s².: Como vocês podem perceber o blog está mudando ao poucos, com o intuito de oferecer algo melhor e mais organizado para vocês. Também queria agradecer por todas as visitas diárias, pois se hoje o blog está crescendo e obtendo alguma visibilidade é graças a vocês, então muito obrigada.

Espero que gostem!

Título: Porque até a morte terei fome
Páginas:202
Gênero: Romance, romance intimista
Categoria: Literatura nacional
Ano de lançamento: 2012

A Outra Margem-Feira de Livros Independentes

23/03/2016

Domingo passado, foi a vez de conferir mais um evento literário aqui em Brasília, na qual se tratava da primeira edição da feira de literatura independente. A mesma ocorreu no Ernesto Café (Asa-Sul).




O lugar oferece toda uma estrutura aconchegante, além de uma decoração muito charmosa (juro que me lembrou aqueles "Cafés" franceses). Espero ir lá mais vezes. 






 O vento contou com vários escritores e ilustradores locais, cujo o intuito é disseminar a cultura independente, que muitas vezes acaba sendo desvalorizada. Então, é através dessas iniciativas que podemos nos deparar com tantas coisas legais que nos cerca, mas   que muitas vezes desconhecemos. Por isso sou a favor do projeto "Leia um nacional" entre outros dessa mesma temática, pois acredito que isso não só visibiliza nossa cultura, assim como é  também uma forma de valorizar o que é nosso.







Tive a oportunidade de conhecer a nova parceira do blog, que é a escritora Patrícia Baikal que estava lá  divulgando o seu livro "Mariposa", na qual eu deixo aqui o meu carinho especial, por além de confiar seu trabalho a mim para que eu pudesse estar gerando conteúdo aqui para o blog, foi super atenciosa comigo.Em breve terá resenha do mesmo por aqui :)

Também conheci alguns blogueiros. Especialmente a Mariana do blog Conchego das Letras, moça carioca de sotaque fofo, que além de simpática  foi super prestativa ao me dar algumas dicas sobre livros, editoras e escritores (obrigada de coração!), o dia foi de experiências bem ricas.

Então, pra quem gosta de literatura, fotografia e arte de modo geral, e é viciada em café como eu (risos) vale super a pena visitar o Ernesto e ficar atento para os próximos eventos. 

Fotos: Jorge Borges

Espero que tenham gostado!

A Parede Branca do Meu Quarto

21/03/2016


Olá! 
Hoje a resenha consiste em falar sobre o livro A Parede Branca do Meu Quarto, da nossa parceira Marina Oliveira. Para essa resenha resolvi fazer algo diferente, e pretendo seguir assim nos próximos posts literários.

Farei os mesmos em forma de passo a passo, assim posso mostrar mais a fundo sobre o livro e fazer uma resenha mais completa. Espero que gostem desse novo modelo, então vamos lá?!


"Lucas nunca lia livros. E eu não gostava de café".








"Após ter um vídeo postado no YouTube sobre o surto psicótico que teve durante uma prova, Mariana Vilar virou uma celebridade da Internet. Infelizmente, isso não trouxe nenhuma vantagem para a vida dela: foi expulsa do colégio antigo, perdeu o contato com o melhor amigo e, agora, ainda tem que aguentar as pessoas perguntando a todo tempo se a conhecem de algum lugar. Chega a hora de cursar o terceiro ano do Ensino Médio, não vai ser fácil. Novo colégio, rodeado de pessoas diferentes. Os desafios surgem e as inquietudes aumentam. Mariana começa a perceber que as experiência e desejos que guiavam o seu comportamento antes, de repente não fazem mais sentido. Entender as mudanças que vão desde belos momentos afetivos até estranhas festas da elite brasiliense será uma questão de sobrevivência.
E quanto à parede branca do título? Ah, meu caro leitor, só posso garantir que ela nunca mais será a mesma."










A princípio nos deparamos com uma personagem de personalidade bem forte, algo que dificulta estabelecermos vínculo com a mesma. Todavia, aos poucos vamos nos desfazendo dessa premissa, porque percebemos o quanto  que existe de Mariana dentro de nós, até mais do que realmente acreditamos, principalmente quando se compreende não só seus defeitos e erros (afinal, não é fácil ser taxada como a "lunática do PAS",né?),dessa forma passamos a entender seus medos e anseios, além de todo histórico de um pai ausente e o súbito afastamento do melhor amigo.Então,aquela menina que se escondia atrás da sua armadura antissocial, na verdade é só alguém que precisa ser compreendida, assim como ela deve compreender a si mesma também.

Tal postura repetia em tudo, desde sua implicância com seu irmão Lucas, até seu desdém pela sua mãe Carla, já que não queria ser que nem ela. Isso também refletia bastante no seu quarto,onde suas paredes brancas não possuíam  nada que representasse sua personalidade. Era tudo sem fotos, sem decoração, sem histórias.



Todavia, ao ingressar em um novo colégio novo (Joana D'Arc) ela se deparou não só com um novo ambiente, e sim também com novos amigos, como Lara e Maurício, além de  festas e até sentimentos "estranhos" em seu coração que sua vó Fatinha sempre vivia alertando-a sobre isso.

Fazendo com que percebesse o quanto precisava parar de olhar tanto só para um foco, e começar a ver mais para aquilo que a cercava, mas não é fácil perceber isso, certo?

Então vai ter alegria, choro, ansiedade e raiva também. Por isso convido você, caro leitor, a mergulhar nessa história e preencher também as paredes brancas do seu quarto.









Ao vê-la aos poucos mudando isso, você acaba se sentido feliz...seja por ela estar formando novos amigos, permitindo mais ou deixando-se embarcar em novas sensações e fazendo novas descobertas.

“- O que é?
- Só verificando se é você mesma ou algum protótipo alienígena.
- Que diabos você está insinuando?
- A Mariana verdadeira nunca se preocuparia com os outros. Ela só pensa em estudar!”



Se tivesse parado de ler nos primeiros capítulos, teria concluído que Mariana é aquela típica garota que eu preferia manter distância durante o meu Ensino-Médio. Pessoas que sempre se embasaram na prepotência para se vangloriar de algo, sempre me incomodaram.



“Confesso que quando ela citou a palavra “amiga”, meus ombros se contraíram. Não usava essa palavra desde Ian. Tá que, com ele, era no masculino. Mais uma vez, um conflito interno se deu. Um lado meu estava inseguro e com medo de se machucar novamente. Outro gritava de alegria “Sim, Lara é minha amiga!”. Não estava fácil.”

Todavia, ao continuar as próximas paginas, pude me desvencilhar dessa ideia, pois percebi o quanto tem de Mariana em mim, pois todos possuem também aqueles receios e anseios ao prestar vestibular  e escolher um curso, que para muitos é a melhor opção (mas nem sempre pra você é),já que lhe oferece grande estabilidade no mercado. Assim, pude me transpor para época que eu fazia cursinho de vestibular, pelas noites mal dormidas, pelos simulados de provas  nos finais de semana e focar em passar em um curso que eu realmente nem se quer sabia se era mesmo o meu desejo.



Também quis prestar vestibular para Medicina na UNB (será que era mesmo isso?), porém ao poucos fui desanimando da idéia,não só pela dificuldade, aqui sabemos bem como a concorrência não é nada fácil, mais pelo o curso em si...não me imaginava exercendo a profissão, porém me imaginava  dentro de algum hospital (vai entender).E foi aí que resolvi dar chance para aquele meu sonho que estava bem escondidinho que eu nunca havia contado para ninguém, que era o meu amor pela psicologia. Nesse momento muita gente ficou surpreso, mas resolvi escolher aquilo que me fazia feliz, na verdade sempre digo que foi  ela que me escolheu, e já são seis semestres em que a cada dia tenho mais certeza que estou no caminho certo.








Gostei bastante do desenrolar da história, não só por me identificar em relação sobre PAS, vestibular e UNB,e sim por realmente me sentir parte da história, de ver como Mariana se descobre, e como nós leitores participamos desse momento. No final realmente entendi o sentido do que é estar bem consigo mesma, e como isso é imprescindível para aqueles que nos cerca. Então obrigada Marina Oliveira por nos propiciar isso através da escrita (parece clichê já que você é parceira do blog, né? rsrs),mas esses agradecimentos são de coração (acho que já agradeci umas dez vezes),pois fico feliz não só por ter confiado seu trabalho a mim,e sim por me apresentar uma história que me fez refletir bastante.

Também, através do livro pude observar como realmente de certa forma o nosso quarto reflete no que nós somos, nesse caso aqui o enfoque seria a nossa parede. Então lembrei da primeira decoração que tinha na minha, assim que me mudei para o apartamento novo, a única coisa que continha nela era o desenho de uma árvore com um passarinho saindo de uma gaiola, acho que representava bem a sensação de recomeço que estava sentindo naquela época.

Depois vieram quadros da Marilyn Monroe (uma das mulheres que me inspiram),um filtro dos sonhos...até que um dia resolvi mudar, e tudo deu espaço ao meu mural de fotos da viagem que fiz para Vitória-Espirito Santo (melhor viagem que já fiz, aprendi muito nesse lugar). Logo em seguida mais um recomeço, dessa vez tudo virou flores, seja pelo meu papel de parede, ou pelas rosas secas que ficam penduradas nela, e isso me representa bem hoje. Se fosse para nomear toda essa decoração em um sentimento, seria a palavra gratidão, por tudo e todos.

Espero que tenham gostado!

A Parede Branca do Meu Quarto, tanto a versão digital como física pode ser encontrada no site da livraria Cultura, só clicar aqui Ó.

Editora: Thesaurus
ISBN: 9788540903968
Gênero: Romance/Jovem Adulto
Páginas: 384


Literatura por Mulheres

14/03/2016

Sábado, ocorreu no auditório da livraria Cultura (CasaPark-DF) o evento Literatura por Mulheres promovido pela Acadêmia Literaria,na qual contou com a presença das escritoras Viviane FairPatrícia BaikalMarina Oliveira (Parceira do blog ♡) e com mediação da Laís Rodrigues


Durante o evento, tivemos a oportunidade de conhecer um pouquinho de cada uma, sobre o que permeia em suas histórias, assim como as dificuldades que existem no mercado editorial brasileiro (nessa hora pude ver quanto o preconceito por livros nacionais ainda existe, diferentemente do gênero) porém,há acertos também, como é importante persistir,e não deixar se levar pelo primeiro NÃO,pois ainda tem muita gente que acredita no seu potencial, então é sempre bom se lembrar disso. Assim,podemos ver o quanto é necessário mudar essa percepção, já que temos uma gama bastante extensa de ótimos escritores nacionais. 


A Caçadora-Viviane Fair
Mariposa-Patrícia Baikal
A Parede Branca do Meu Quarto-Marina Oliveira
Primeiras Impressões-Laís Rodrigues

Eu particularmente sempre me incomodei com aquela sensação de que se tinha antes, quando "nossos escritores" favoritos eram vistos como algo inacessível, onde o contato face a face com os leitores era algo quase escasso. Todavia, isso aos poucos vem sendo mudado, por isso possuo um enorme apresso por eventos que te proporciona isso de alguma forma.


Além disso, o evento foi super rico, pois além das escritoras convidadas que sinalizei acima, tivemos a oportunidade também de conhecer outros escritores que estão bem no comecinho ou que estão há bastante tempo no mercado, assim como blogs literários também. 

(Teve sorteio,mas não foi dessa vez,né Antônia? rsrs)

Esperando ansiosamente por mais eventos como esse, não só por estar em um ambiente, cujo as pessoas que estão por ali possuem a mesma paixão em comum, mas sim por ter o direito da fala, poder divulgar seu trabalho, e também saber que os sentimentos de mutualidade e reciprocidade estão presentes. Já,que seja você blogueiro ou booktuberers etc, percebemos o quanto somos peças fundamentais ao disseminar o trabalho dos escritores e assim vice-versa.  






"Ninguém se forma bom escritor, sem ter sido bom leitor".

Acredito veemente nessa frase,assim como também acredito em pessoas que se engajam por expandir esse mundo literário que nós temos.Que acreditam em cada um,independentemente do patamar que você se encontra (eu que estou no comecinho do blog sei muito bem o que é isso).

Também acredito que em âmbito educacional de crianças e adolescentes seria o primeiro lugar que todo escritor deveria passar, e fiquei feliz que algumas pessoas durante o evento levantaram essa questão (tive oportunidade de vivenciar isso na minha escola,e acredite,sou grata até hoje por esse momento). 






Não sei se foi só eu (espero que sejam muitos),mas me senti super abraçada pelo evento, então fui embora com o gostinho de quero mais. Então cabe a mim aqui também fazer um convite, para você meu caro leitor, vale super a pena conhecer esse tipo de evento, pois te proporciona um olhar diferente, assim como também a fala do outro engrandece bastante sua aprendizagem.




Queria agradecer a Acadêmia Literária pela iniciativa,espero estar presente nos próximos eventos que virão.


P.s: Tive oportunidade de conhecer a Marina pessoalmente, que como disse antes é a primeira escritora parceira do blog.Obrigada mais uma vez pela atenção e confiar a mim o seu trabalho.

P.s²: Lembra do clube do livro Leia Mulheres que falei nesse post aqui? Então,próximo mês um dos livro que será discutido é o da Patrícia Baikal,Mariposa. Estou super ansiosa para lê-lo,assim como também os livros da Viviane.



Poderia até parar por aqui,mas como tem muitas fotos legais,resolvi postar todas (Obrigada, de nada rsrs) Então, confere o slide com todas as fotos do evento:


Espero que tenham gostado ♡

Fotos: Jorge Borges


Clube do livro: Leia Mulheres-Brasília

11/03/2016


"É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro, possuidor de uma boa fortuna, deve estar necessitado de esposa. Por pouco que os sentimentos ou as opiniões de tal homem sejam conhecidos, ao se fixar numa nova localidade, essa verdade se encontra de tal modo impressa nos espíritos das famílias vizinhas, que o rapaz é desde logo considerado a propriedade legítima de uma das suas filhas."



E foi sob essa perceptiva de um dos livros (Orgulho e Preconceito) da minha escritora favorita, Jane Austen, que se deu início ao debate do clube do livro "Leia Mulheres" que ocorre toda 2º quinta-feira do mês, no auditório da livraria Cultura (CasaPark-DF). Na qual são escolhidos sempre livros escritos por mulheres, com diversos tipos de temáticas .Para saber mais, só clicar  aqui Ó.




Confesso que fiquei totalmente feliz por ter mudado minha percepção da ideia que eu tinha do evento, pois acreditava que o assunto permearia somente a que o livro propunha ali através da história. Entretanto, tivemos um apanhado de vários conteúdos, onde foi discutido o papel da mulher naquela época, e como Jane Austen foi uma das poucas (acredito até que única) a levantar bandeiras em prol das mulheres, que naquele contexto já poderia ser considerado algo aversivo. Então fiquei com aquela sensação, de que pelo menos o mínimo ela fez.


Um dos aspectos também levantado é essa dualidade entre os personagens principais,Elizabeth e Mr. Darcy, como ambos compactua os mesmos defeitos, a prepotência de serem orgulhosos e preconceituosos, e até indiferentes em determinadas situações com conotações de desprezo. Sendo que a principio você só atribuiria isso ao Darcy, então Jane te propõe uma história em que fica difícil distinguir quem é vilão ou mocinho.

Algo que eu particularmente  gosto na escrita da Jane, não só como ela dá voz a cada personagem, e sim também como ela apresenta  figuras que possuem o direito de cometer erros e acertos, como qualquer pessoa normal faria. Desvencilhando um pouco daquele amor ideal como era interposto antes, e sim um amor racional. 



Já li Orgulho e Preconceito por três vezes e até poderia levantar algumas análises em relação a alguns personagens, mas ontem foi levantado uma questão que eu nunca havia me atentado, como é comum que todas as figuras maternas dos livros da Jane apresentam um teor de ridicularização, ausência, entre outras coisas que permeia para o lado negativo. Ao discernir isso (apesar de não ter compartilhado com o grupo rsrs) me veio na hora a concepção de Winnicott, que traz o conceito da "mãe suficientemente boa", onde a mulher deveria ser quista como algo amável, que afagasse os filhos e o marido sempre que fosse necessário, assim como também ser responsável por educar os filhos da melhor forma possível, mostrando também sempre obediente ao seu esposo, já que essa submissão seria uma forma de mostrar honra para o mesmo.


Então,quando Jane traz em seus  livros mães que fogem desse padrão, eu vejo mais como um protesto, do que algo realmente pejorativo. Assim, como também, ela dá tons de ironia e humor sarcástico para personagens que deveriam se portar como verdadeiras damas para a sociedade.

E depois de permear por diversos assuntos, e escutar cada um dos integrantes do grupo, percebemos o quanto a fala do outro contribui bastante para a nossa aprendizagem, e como um simples encontro na quinta feira pode fazer sua noite mais rica ainda (aqui deixo o meu lamento por não ter conhecido o projeto há mais tempo!),e até descobrir também que a família Bennet era as Kardashians do século  XIX  :)


Espero que tenham gostado!

P.s: Não coloquei muitas fotos em respeito ao direito de sigilo de imagens dos integrantes do grupo, mas se quiser saber mais a respeito fique à vontade em conhecer o projeto de pertinho.

Local: Auditória da livraria Cultura (CasaPark-DF).
Dia: Toda 2º quinta-feira do mês (próximo ocorrerá dia 14/04).
Horário: Às 20h


Afinal,o que nós queremos?

09/03/2016


É tão difícil dizer o que quero, quanto o que eu não quero...sempre fui instável demais, mas de uns tempos para cá venho discernindo bem minhas ideias, me posicionando mais, e em consequência amadurecendo bem com isso. 

Sempre fui uma pessoa acomodada, mesmo tendo senso crítico para algumas coisas, ainda assim preferia ficar calada, como se minha opinião não contasse, como se não fizesse diferença alguma. 

Entretanto, todavia, sei que hoje vale, e muito, não que eu precise necessariamente de alguém para me ouvir, mas só o fato de você dar voz pra si mesma ,acredite, já faz um grande  diferencial.  


E afinal Antônia, o que você quer? 

Quero ser livre do comodismo na qual meu pai ou meu futuro marido deve ser o único provedor do sustento da família (o que boa parte da sua vida você é educada a pensar assim). 

Sabe aquela louça suja que muitos dizem para lavarmos quando acham que estamos de "mi mi mi " quando reivindicamos nossos direitos? Então, vamos lavar juntos, porque que diz que cabe só a mulher ser realizadora de trabalhos domésticos? 

Quero também que enquanto profissional da Psicologia, ou qualquer outro trabalho que seja, eu receba o mesmo tratamento que um homem, pois tenho certeza que a nossa proficiência será a mesma, então por quê receber menos por isso?  

Quero que a educação dos meus futuros filhos seja algo em conjunto, e que não paire somente a mim, como se  fosse responsabilidade minha já que eu deveria ter um instinto materno que dita como eu deva me portar e educar eles. 

Que eu seja livre pra enrolar meu cabelo, ou alisa-lo quando quiser, porque isso não faz de mim ser menos negra ou mais. 

Quero reclamar quando achar que é conveniente, como se isso não parecesse hipocrisia de uma mulher histérica que  reclama de uma opressão que pra você meu caro,nem se quer existe, mas existe sim.

um tempo atrás poderia considerar tudo isso uma utopia, me perguntando porque estou indo contra a maré, mas agradeço de coração uma professora em uma das aulas da disciplina de Ética  que me ensinou o real significado da palavra utópico  ,que pra muitos é meramente algo impossível e imaginável, mas na verdade só é algo que alguém não tentou fazer, todavia, é possível sim.Então, quanto tudo aquilo que sinalizei lá atrás eu tento, tento esperando que deixe de ser só um termo e vire verdade.